Leptina
Saiba mais sobre
Nutrologia

A leptina (do grego leptos = magro) é uma proteína secretada por adipócitos e que age no sistema nervoso central (SNC) promovendo menor ingestão alimentar e incrementando o metabolismo energético, além de afetar eixos hipotalâmico-hipofisários e regular mecanismos neuroendócrinos. Camundongos geneticamente obesos (ob/ob) não têm o gene para a expressão da leptina e por isso desenvolvem hiperfagia e acúmulo progressivo de gordura corporal. 

No ser humano o gene da leptina localiza-se no cromosso 7q31. A leptina tem 167 aminoácidos e peso molecular de 16 kd; sua estrutura cristalina mostra semelhança com inúmeras citocinas. A leptina é produzida no tecido adiposo branco e, em menor proporção, pelo tecido adiposo marrom, pelos folículos de Graaf e placenta. A leptina circula no plasma de forma livre ou ligada a proteínas e são significativamente maiores em pesoas obesas que nas pessoas magras, sendo 2-3 vezes maiores nas mulheres.  

A produção de leptina em pessoas normais segue um ritmo circadiano e muda durante o ciclo menstrual. A ação da leptina no sistema nervoso central (hipotálamo) promove a redução da ingestão de alimentos e o aumento do gasto energético, além de regular a função neuroendócrina e incrementar o metabolismo de glicose e de gorduras.

Resistência à leptina na obesidade

Em seres humanos obesos, quanto maior a quantidade de tecido adiposo, maiores os níveis de leptina circulantes.  Esse achado é paradoxal, já que níveis elevados de leptina deveriam diminuir o apetite e aumentar o gasto energético. Assim, de forma similar ao que ocorre em alguns indivíduos com diabetes mellitus, em que os níveis de insulina estão aumentados, é provável a ocorrência de um aumento da  resistência periférica à leptina em seres humanos com obesidade.  

Esse paradoxo tem sido explicado por numerosas mecanismos celulares. Um mecanismo plausível envolve um possível defeito no transporte da leptina através da barreira hematoencefálica. A menor expressão de receptores da leptina em indivíduos com obesidade associada à ingestão de dietas ricas em gorduras também pode ser uma explicação, enquanto um possível papel facilitador da obesidade, exercido pelos corticosteróides continua especulativo.

Papel da leptina na inanição e na realimentação

Na inanição prolongada ocorre diminuição do peso corporal e tendência à redução dos níveis séricos de insulina e de glicemia, com aumento dos níveis séricos de beta-hidroxi-butirato. 

Os níveis séricos de leptina também diminuem durante a inanição prolongada. A injeção intraperitoneal de leptina recombinante (1 µg/kg de peso corporal 2x/dia) aumenta os níveis séricos de leptina mas não reverte essas alterações metabólicas. Quando os animais são realimentados nessas circunstâncias, a injeção de leptina promove redução da ingestão de alimentos. Na realimentação excessiva, os níveis de leptina aumenta em 12 horas a aproximadamente 50% do valor basal. 

No ser humano adulto, os níveis de leptina respondem lentamente ao jejum e começam a diminuir após 12-14 horas. A transcrição do gene da leptina diminui no jejum mais prolongado. 

Níveis séricos de leptina durante a subnutrição protéico-energética grave

Os níveis de leptina estão reduzidos em muitas formas de subnutrição, incluindo a subnutrição intra-uterina, na anorexia nervosa não-tratada e em pessoas idosas subnutridas. 


Topo
Copyright© - 2011 - DTI-UFTM - Melhor visualizado em 1024 X 768