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Acessibilidade

Arte para todos os sentidos: Estágio da Terapia Ocupacional promove acessibilidade cultural na Galeria do Centro Cultural da UFTM

Publicado: Quinta, 11 de Junho de 2026, 19h31

Iniciativa utiliza audiodescrição e tecnologia para incluir pessoas com deficiência visual no universo artístico de Uberaba.

A Galeria de Arte “Prof. Dr. Bruno Curcino Mota” do Centro Cultural da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) transformou-se em um espaço de profunda inclusão e debate social. Por meio das atividades da disciplina de Estágio Supervisionado II do curso de Terapia Ocupacional, alunas e docentes uniram forças com o Centro Cultural da UFTM e o Instituto de Cegos do Brasil Central (ICBC) para quebrar barreiras invisíveis e garantir que a arte seja, de fato, um direito universal.


Usuários do Instituto dos Cegos do Brasil Central em visita mediada à exposição do Centro Cultural (Foto: Raphael Arduini).

O projeto consiste na adaptação da exposição artística “Não há sombra sem luz” de Márcio Rocha, em cartaz na galeria do Centro Cultura da UFTM até 11 de junho, por meio da técnica de audiodescrição, desenvolvida para garantir plena autonomia a visitantes com cegueira ou baixa visão. Os detalhes minuciosos das obras foram traduzidos em recursos sonoros, acessados individualmente via QR Codes instalados no local. A iniciativa inclusiva também contemplou a reestruturação física da galeria, que recebeu legendas com fontes ampliadas e sinalização em alturas acessíveis, assegurando que o patrimônio artístico exposto na universidade seja democraticamente compartilhado com toda a comunidade que tenha baixa visão.

Durante a visita as mediadoras provocaram os presentes a interpretar a telas descritas (Foto: Raphael Arduini).

De acordo com a professora-coordenadora do estágio e chefe do Centro Cultural, Heliana Castro Alves, a ação cumpre um papel pedagógico, mas, acima de tudo, social e legal. “A nossa ideia é de promover a inclusão e a participação social de pessoas com deficiência visual em equipamentos de cultura, aqui na universidade e também na cidade”, ressalta a professora. Heliana lembrou ainda que essa iniciativa decorre de determinação legal prevista na Lei Brasileira de Inclusão de 2015. “É obrigatório que espaços de cultura possam estar abarcando e abraçando as populações com deficiências múltiplas, inclusive deficiência visual" alerta a professora.

Desafios técnicos e a voz dos beneficiários

O cronograma do projeto dividiu-se entre oficinas artísticas e culturais no próprio ICBC e as visitas mediadas e validações, no Centro Cultural da UFTM. Para a estudante Alanis Cristina Silva Siqueira, do 8º período de Terapia Ocupacional, traduzir telas abstratas em palavras sem interferir na interpretação do público foi o maior desafio. O processo exigiu estudos e a validação técnica de uma pessoa com cegueira total. "O audiodescritor deve ser neutro. Nós descrevemos a imagem de forma limpa para que a interpretação subjetiva venha do próprio usuário", explica a graduanda.

Discente e mediadora Alanis lendo a audiodescrição aos presentes. (Foto: Raphael Arduini).

E o resultado foi imediato. Clécio Antônio Barra, usuário do ICBC que visitou o espaço pela primeira vez, destacou o poder da ferramenta: "A audiodescrição permite imaginar e sentir o desenho, formular nossa própria opinião". Ana Cláudia Oliveira, que tem baixa visão, reforçou que o recurso ajuda a enxergar detalhes que passariam despercebidos, e cobrou mais iniciativas como essa na cidade.

Além da arte: um espaço de reivindicação política

A presença do ICBC na universidade também acendeu debates sobre o próprio acesso ao ensino superior. Vanilton Rosa da Silva, que participou da validação das obras, aproveitou a oportunidade para cobrar de órgãos institucionais e do Governo Federal a ampliação de cotas e bolsas de estudo para pessoas com deficiência nas universidades públicas. Segundo ele, as barreiras cotidianas enfrentadas por esse público tornam a disputa tradicional desigual, exigindo políticas de inclusão mais robustas no ambiente acadêmico.

Ao final, o consenso entre os participantes e organizadores é que a verdadeira acessibilidade vai muito além da infraestrutura física. "Acessibilidade não é só rampa, não é só piso tátil, é também dar acesso à cultura e à arte, dando real significado e função social à vida das pessoas”, conclui Vanilton.

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